Nos esportes de longa duração e nas provas de vários dias, só é possível para o atleta equilibrar o gasto energético com o consumo, se utilizar alimentos ou suplementos durante a atividade.
Deve-se levar em conta que os depósitos de glicogênio podem não ser restaurados de um dia para o outro. Treinos em dias consecutivos podem levar a uma depleção tamanha que precise de repouso para recuperação total. Manter uma dieta rica em CHO e usá-los durante o treino é a maneira mais eficiente de evitar este problema. Um ciclista em provas longas como o Tour de France, por exemplo, necessita de até 9 mil calorias por dia, o que é um fator limitante nestes esportes. Muitos atletas não conseguem suportar a competição por não conseguirem absorver a energia necessária. A suplementação costuma ser usada nessas situações. Atualmente existem repositores que conseguem em uma pequena garrafa entregar 1000 calorias ao atleta em forma de líquido. O atleta que não repõe o que gasta perde peso e desempenho
Como em exercício de endurance as gorduras são queimadas em abundância, faria sentido usar suplementos lipídicos nessas situações. Entre estes suplementos estariam os triglicerídeos de cadeia média, que aumentam a oferta de ácidos graxos no plasma. Uma alternativa seria aumentar o consumo de gordura, como proposto pela dieta.
O uso dos TCM surgiu como uma alternativa, mas existe uma baixa tolerância gastrintestinal aos TCM e nas quantidades aceitáveis não houve economia de glicogênio. As dosagens que resultaram em economia de CHO são muito altas e geralmente causam efeitos colaterais que comprometem o desempenho.
Ao iniciar uma dieta hiperlipídica o organismo passa por várias adaptações enzimáticas no sentido de usar melhor os AGL, mas outro efeito resultante do maior consumo de gordura é que com esse aumento ocorre uma diminuição no consumo de CHO, diminuindo os depósitos de glicogênio muscular.
O aumento da concentração de AGL no sangue com a finalidade de diminuir o gasto de CHO em exercício foi testado de várias formas, inclusive com injeções de produtos que aceleram a captação de AGL e outros métodos invasivos. Todos seriam considerados doping.
Dessa forma, atualmente a suplementação com lipídios e as dietas ricas em gordura parecem não trazer nenhuma vantagem para o atleta de endurance.
Cafeína: como a cafeína tem ação lipolítica, supôs-se que a suplementação auxiliaria na lipólise e pouparia glicogênio muscular. Mas os resultados foram contraditórios e apesar de ser também um forte estimulante, a cafeína é um diurético, aumentando a perda líquida em atividade, um fator indesejável. A quantidade de cafeína para ter um efeito significativo como estimulante é muito grande e seria considerada doping. Além disso, o consumo cotidiano de cafeína interfere na sua sensibilidade – pessoas que nunca consomem café são mais sensíveis aos seus efeitos. Essa variação pessoal seria mais um complicador caso se faça uma prescrição individual de uso.
Carnitina: atua como transportadora de lipídios intracelulares e pensou-se que o uso poderia facilitar a utilização de AGL circulantes. Mas os estudos mostraram que esse tipo de suplementação não traz melhorias ao rendimento e que na verdade o que pode acelerar o processo é uma aceleração do funcionamento enzimático intracelular, o que só ocorre com o treinamento. Mesmo assim, a carnitina é vendida mundialmente sob o pretexto de ser um “queimador de gordura”.
Aminoácidos isolados: o consumo de aminoácidos isolados como suplemento iniciou com a suplementação de pessoas doentes e os defensores desta prática para atletas alegam que poderiam estimular a secreção de hormônio do crescimento (GH), mas isso não foi provado. Existem indicações de que estes aminoácidos poderiam influenciar a absorção de outros aminoácidos, causar falha renal e lesões teciduais. A suplementação por longos períodos com aminoácidos não tem qualquer benefício comprovado sobre o rendimento, podendo ainda induzir um quadro de resistência periférica à insulina. Não há, portanto evidências apontando o uso de aminoácidos como sendo benéfico para o atleta ou para o seu rendimento.
BCAA (Branched-chain amino acids): aminoácidos de cadeia ramificada, valina, leucina e isoleucina. A maior quantidade de estudos com BCAA deve-se ao quadro da fadiga central. As estratégias para utilização do BCAA em relação à fadiga central procuram estabelecer que sua suplementação realmente atrase o início da fadiga.
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